Dorme, criança,

Dorme o teu sono;

Lá fora as fogueiras

Já se estão a findar.

 

Dorme, criança,

Não abras os olhos;

Lá fora os negros espíritos

Já estão a rondar.

 

Dorme, criança.

Neste ano a colheita foi boa,

Mas há um preço de sangue

Que alguém terá de pagar.

 

Não vás à janela,

Não abras a porta,

Para que nenhum deles

Te possa agarrar.

 

Não ouças os murmúrios,

Não escutes os lamentos,

Os escuros caminhantes

Querem-te de casa levar.

 

Dorme, criança,

Dorme o teu sono.

Se conseguires dormir,

O seu chamamento podes ignorar.

 

Dorme, criança…

Dorme pela noite dentro,

Porque se não dormires,

Só os teus ossos irão encontrar.

cancao-das-colheitas

Com um agradecimento à Carina Portugal, pela contribuição dada ao elaborar este texto.

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