Desviaram a porta e avançaram para um largo corredor. Ali, ao contrário do que acontecia na galeria anterior, os corredores eram obra de mão humana. Não soubesse estar debaixo de terra, Gérard era capaz de jurar que se encontrava no interior de um castelo, com paredes e piso de pedra. O caminho era iluminado pelas tochas que pendiam das paredes, separadas entre elas por alguns metros.

De espada em punho, os três Templários avançaram pelo corredor. Nas laterais começaram a surgir várias portas que davam acesso a pequenas divisões, na grande maioria arrumos ou quartos. Todas elas estavam vazias.

Quando alcançaram o fim do corredor, o grupo deu com uma pequena porta de madeira que se encontrava fechada. Era possível ouvir sons vindos do outro lado. Tratava-se de uma espécie de cântico, numa língua que Gérard não reconhecia.

Fez sinal a William e a Hugues que se preparassem. De seguida, abriu a porta, revelando uma escadaria em caracol que descia para um nível inferior. Os cânticos ouviam-se agora melhor. Os sons daquela estranha língua eram agressivos e tenebrosos.

Os três desceram pela escadaria, incertos sobre o que iriam encontrar no fim. Estaria o Papa correcto nas suas suspeitas?

Gérard perdeu a conta aos degraus. Aquela escadaria infernal parecia não ter fim.

À medida que se aproximavam da origem do som, também o ambiente ficava mais quente e o ar mais pesado. Não tardou para que os cavaleiros sentissem as gotas de suor a escorrerem pelos rostos.

Por fim, a escadaria terminou, revelando uma ampla câmara.

As paredes, chão e tecto eram de rocha negra como a noite. O tecto da câmara era em abóbada, sustentado por colunas que sobressaíam das paredes, todas elas trabalhadas com estranhos caracteres e imagens bizarras, repletas de demónios e cenas profanas.

No centro da câmara, vários homens ajoelhavam em torno do centro. Capas negras, com o símbolo de um olho no meio de uma estrela a vermelho, cobriam-lhe os ombros, contrastando com o típico branco das capas dos templários. De cabeça baixa, todos eles entoavam aqueles bizarros cânticos, num tom de voz que parecia vir das profundezas.

Um estranho objecto erguia-se no centro da câmara e era rodeado pelos vários homens. Trava-se de uma espécie de espelho, preso a uma estrutura metálica que tomava cores entre o negro, o azul-escuro e o arroxeado, mudando de cor conforme a luz lhe incidia. O espelho em si era em tons de roxo, praticamente translúcido, não se limitando a reflectir a imagem, mas também a permitir ver através de si, conferindo-lhe um ar quase fantasmagórico.

Nisto, um dos homens ergueu-se e Gérard conseguiu ver-lhe o rosto. Tratava-se de Jacques de Poitous, um dos seus irmãos da Ordem do Templo.

– Estamos aqui reunidos como é tua vontade, Mestre. Revela-te a nós, os teus fiéis servos. Dá-nos a tua força, a tua sabedoria! Fortalece o nosso sangue e faz com que os nossos inimigos tremam! – declarou Jacques.

O estranho espelho pareceu ficar búzio por alguns instantes, revelando uma imagem nítida de seguida. Gérard não conseguia acreditar no que os seus próprios olhos lhe mostravam.

O ídolo 1

Anúncios