A luz da lua cheia iluminava o estreito caminho por entre a vegetação da floresta. A noite estava fresca e agradável, como era habitual naquele mês de Agosto. Movendo-se silenciosamente por entre as árvores e os arbustos, os três homens de capa branca com uma cruz vermelha avançavam rapidamente. As marcas no chão da floresta ainda estavam frescas, pelo que os cavaleiros não tiveram dificuldades em seguir o rasto do seu irmão.

Na frente do grupo seguia Gérard von Esbeke. O cavaleiro húngaro, o mais experiente dos três, era o líder daquela missão. Seguiram pistas durante meses até que finalmente as suas piores suspeitas se confirmaram. Quando foi chamado pelo Papa Clemente V, Gérard não quis acreditar nas acusações e suspeitas que o Santo Padre levantava em relação a alguns dos membros da sua ordem. Porém, como Templário que era, devia obediência ao Papa e à Igreja. Nesse dia, Gérard e os seus dois irmãos abandonaram o Vaticano com uma missão secreta: revelar qual o segredo negro que a Ordem do Templo ocultava da Igreja e da maioria dos seus membros.

Ao chegarem a uma pequena clareira, Gérard fez sinal aos irmãos para que parecessem. As marcas no solo seguiam em direcção a uma formação rochosa bem no centro da clareira. Fez sinal aos dois homens e inspeccionaram as redondezas com cuidado. Assim que verificaram, que não havia guardas escondidos na vegetação, Gérard ordenou que avançassem. Sempre com a mão no punho da espada, caminhou em direcção ao rochedo.

As pegadas no solo seguiam em direcção a uma pequena reentrância na rocha, conduzindo ao que parecia ser uma gruta ou mina.

– Mantenham-se atentos – ordenou, retirando de seguida a espada da bainha.

Um a um, os três homens desceram pela fenda na rocha.

A entrada era escura, o pouco que se via era graças à luz da lua que entrava pela fenda. Contudo, era possível ver a luz alaranjada de uma chama a brilhar na escuridão. Era impossível dizer a que distância se encontrava, mas era claro qual o caminho a tomar.

Usando a ponta da espada, Gérard apalpava o terreno antes de avançar, não se fosse dar o caso de haver algum buraco profundo naquele local. O chão, em grande parte do percurso, era composto de lama e poças de água, sendo raro o local onde se podia sentir rocha sólida debaixo dos pés. À medida que se aproximavam da chama, as poças de água e a lama iam desaparecendo, dando lugar a um caminho de terra seca.

Demoraram quase vinte minutos até alcançarem a tocha que ardia na parede. Em frente a esta, uma pesada porta de metal bloqueava o caminho. A superfície da porta fora toda ela trabalhada, encontrando-se repleta de runas que Gérard desconhecia.

– Que lugar é este? – perguntou William de Moncada, um dos irmãos de acompanhava o cavaleiro.

– Um lugar de Trevas e de mentira – respondeu Gérard. – Preparem as armas e sigam-me. Vamos entrar no covil da serpente.

O ídolo 1

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