Acordei lentamente. Sinto o corpo dorido, como se me tivessem esmagado por um asteróide. Abri os olhos. Ainda me encontrava no interior do cockpit da nave, mas não faço ideia de onde me despenhei. Endireitei-me no acento, mas fui de imediato assolado por uma intensa dor de cabeça. Passei a mão acima dos olhos e vi os meus três dedos cobertos de líquido verde. Aparentemente fiquei ferido com a pancada no painel de controlo, mas não é grave, apenas um pequeno golpe no exosqueleto.

Verifiquei o computador de bordo, este não respondia. É escusado, a nave estava desfeita e eu preso num calhau qualquer nos confins da galáxia. Experimentei o computador pessoal inserido no meu exosqueleto. Por sorte, não ficou danificado durante a queda. Uma consulta rápida ao sistema de navegação indicou-me que estou numa zona remota da via láctea, num planeta primitivo habitado por criaturas de sangue quente. Comecei a ler os poucos dados que o computador me conseguia fornecer. Por sorte o ar era respirável, porém, apesar de primitiva, a espécie dominante estava referenciada como extremamente agressiva. Para piorar as coisas, não tinha forma de contactar com a nave mãe. Muito resumidamente, estava por minha conta.

Nisto, o computador começou apitar. Cliquei no visor e a notificação expandiu-se. Raios! Duas naves imperiais estavam a entrar na atmosfera. Sem esperar mais um segundo que fosse, abri o cockpit e saltei do interior da nave. Assim que as minhas quatro pernas tocaram no chão, senti-me como se estivesse a carregar quilos e quilos às costas. A gravidade deste planeta era superior àquela a que estava habituado, ainda ia levar algum tempo a adaptar-me.

Apesar de a situação me obrigar a sair dali rapidamente, não consegui deixar de observar o céu azul. Era magnífico! Bem diferente do céu avermelhado a que estava habituado.

Afastei-me dos escombros da nave e foi então que reparei no dispositivo de localização cravado no chassi. Fui marcado e não me apercebi. Tendo em conta a informação que transportava comigo no meu computador pessoal, isso só podia querer dizer uma coisa: as duas naves eram apenas batedores.

Sem querer perder mais tempo, afastei-me o mais que pude dos destroços, ao mesmo tempo que o meu computador efectuava um scanner da área. Do local onde me encontrava conseguia ver uma vastidão azul à distância. Segundo o mapa gerado pelo computador encontrava-me numa península, pelo que o azul devia ser algum mar ou oceano. A análise indicou-me, através de leitura térmica, que estava perto de duas zonas populacionais. O meu bom senso dizia-me que me devia manter afastado dos nativos, porém, tendo em conta que estava a ser perseguido, a situação mudava de figura. Assim que encontrassem a minha nave e descobrissem que sobrevivi, os imperiais iriam procurar a minha assinatura térmica na área. Se os queria iludir não podia ficar num descampado, tinha de me ocultar entre os nativos, era a minha única opção.

Coloquei-me a caminho da cidade mais próxima sem pensar duas vezes. Não tardou para que conseguisse ouvir o típico som dos dois batedores a aproximarem-se do local da queda e a pousarem. Felizmente já estava suficiente afastado. Tendo em conta os protocolos imperiais para este tipo de operações, tinha cerca de meia hora padrão para conseguir esconder-me na cidade, caso contrário vou tornar-me-ia um só com o Universo mais cedo do que desejava.

O Fugitivo - 2

Anúncios