Tirando a marca da ordem Roul à entrada, nada a diferenciava de outras cavernas da zona. A caverna era escura e húmida. Irus seguiu o trilho de terra batida no chão. Aquilo que procurava não estava à superfície. Activou a visão nocturna dos óculos e desceu.

Conforme descia, a gruta tornava-se mais silenciosa. Já não conseguia ouvir o som do vento a soprar, apenas os pingos de água a caírem das estalactites, e os seus próprios passos. O ar também se tornava mais pesado, à medida que descia ficava mais quente e abafado.

Irus virou numa curva e parou abruptamente, agarrando-se à parede sobressaltado. O trilho terminava sem aviso num precipício. Não fosse a visão nocturna dos óculos, teria caído no abismo.

Olhou para o outro lado do precipício. O caminho continuava, mas não havia forma de passar, pelo menos para um humano. Mas ele não era um simples humano, era um aprendiz de Roul. Afastou-se do abismo e respirou fundo. Só tinha uma tentativa para o conseguir, caso falhasse, esperava-o uma queda seguida de uma morte rápida.

Deixou que a energia que o rodeava voltasse a invadi-lo, transmitindo-lhe aquela calma que conhecia tão bem. Focou-se no precipício e correu. Correu para o que seria a morte certa. Quando estava prestes a colocar um pé no abismo, saltou. Usando o poder absorvido, impulsionou o corpo para cima e para a frente. Dobrou os joelhos para amortecer a queda quando os pés tocaram na outra margem. Tinha conseguido.

Libertou-se daquele estado de calma induzido pela energia e continuou o caminho. As paredes da gruta alargavam-se à medida que se aproximava de uma longa escadaria. Junto à base estavam duas estátuas num pedestal, uma de um Roul armado com a sua espada, a outra de um Manek, um réptil gigante couraçado e que cuspia ácido.

Subiu a escadaria. Estava quase no seu destino.

Irus desligou a visão nocturna e retirou os óculos. As paredes da caverna eram agora iluminadas por uma luz branca.

O topo da escadaria dava acesso a uma larga câmara. No interior, várias formações de cristal cobriam o chão, o tecto e as paredes. Os cristais iluminavam o local com um brilho branco, fazendo lembrar um solarengo dia de Verão.

Irus sorriu. Ali estava o que procurava, o derradeiro momento da sua jornada como aprendiz, a câmara de onde os Roul retiravam os cristais que formavam as lâminas das suas espadas.

Avançou para a câmara e despiu a luva da mão direita. Conforme caminhava por entre os cristais, tocava ao de leve na sua superfície fria. Tinha de escolher um que estivesse em sintonia consigo. Quando há afinidade entre um Roul e o seu cristal, este muda de cor, tornando-se mais escuro à medida que o Roul se torna mais forte. Os cristais brancos não estavam ligados a ninguém, quando encontrasse o seu, a sua cor iria mudar.

Deambulou aleatoriamente pela câmara, passando a mão pelos vários cristais. Era uma tarefa demorada, havia centenas deles e apenas meia dúzia estaria em sintonia com ele. Por fim, um dos cristais deu sinal. Ao tocar-lhe, perdeu a sua natural cor branca e ganhou um tom ciano.

Irus agachou-se e, com cuidado, removeu o cristal da rocha. Era longo e aguçado, perfeito para uma lâmina Roul.

Guardou o cristal na mochila e encaminhou-se para a saída. Preparava-se para começar a descer a escadaria quando toda a caverna tremeu. A parede do lado esquerdo explodiu em centenas de estilhaços. Apanhado de surpresa, foi projectado pela força da explosão, batendo de costas numa das formações de cristal. Não fosse a mochila e teria ficado gravemente ferido.

Um poderoso rugido ecoou pela caverna. Não estava sozinho.

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