Montado em Onyx, John seguiu a galope debaixo de chuva intensa. Caiam raios das nuvens cinzentas, obrigando-o a fechar os olhos com a claridade. A água fria da chuva escorria-lhe pelo rosto e ensopava-lhe as vestes. Porém, a intempérie não o fazia abrandar. À sua frente, o enorme cão negro corria por entre os campos de cultivo. Apesar do tamanho e do peso, a criatura não deixava pegadas na terra enlameada.

No horizonte, John conseguiu ver outra igreja erguer-se por entre as árvores que rodeavam os campos. Incentivou Onyx a acelerar. Tinha de apanhar a besta antes que chegasse à igreja. Segurando as rédeas do cavalo com uma mão, John retirou a espada da bainha e preparou-se para desferir um golpe no flanco da criatura.

A fera pressentiu o ataque e virou bruscamente, passando mesmo em frente às patas dianteiras do garanhão. Assustado, Onyx empinou-se nas patas traseiras, atirando o cavaleiro ao chão.

John caiu de costas numa poça de lama. Dorido, rebolou pelo chão e ajoelhou-se, levantando-se de seguida. Tivera sorte, a lama amparara-lhe a queda. Se tivesse tido o azar de cair numa zona rochosa não estaria vivo para contar a história. Procurou sinais da criatura, mas esta desaparecera do seu campo de visão.

Deu um pontapé na lama e soltou um grunhido. Estivera quase a conseguir…

Os gritos vindos da igreja fizeram-no esquecer rapidamente a fúria. Puxou Onyx pelas rédeas e voltou a montar o cavalo, acelerando por entre a chuva torrencial.

John apenas podia descrever o cenário que encontrou na igreja como macabro. Havia uma enorme poça de sangue no chão, onde jaziam dois corpos. Os fiéis fugiam do local, aterrorizados pelo que diziam ser um ataque do diabo. Procurou o pároco, e acabou por encontrar o homem junto ao altar, com as vestes rasgadas e cobertas de vermelho.

– O que se passou aqui, padre? – perguntou, apesar de já saber a resposta.

– Uma besta enorme entrou a correr pela igreja. Os fiéis ajoelhados a rezar. Foi tudo tão rápido que ninguém se apercebeu… – explicou. – Passou por entre dois homens e, num piscar de olhos, rasgou-lhes as gargantas com os dentes. Antes que alguém pudesse fazer alguma coisa, já tinha fugido… Que Deus nos proteja!

– Faz ideia da direcção que a criatura seguiu?

O padre abanou a cabeça negativamente.

– Saiu tão depressa como entrou.

John virou costas e encaminhou-se para a entrada da igreja. Não sabia qual a direcção que a criatura seguira e, sem deixar marcas, não teria sorte em seguir-lhe o rasto. Entredentes rogou pragas à besta. Se o cavalo não se tivesse assustado, já a teria apanhado.

Um garotelho passou a correr por ele e entrou na igreja.

– Padre! Padre! O ferreiro diz que viu o cão!

– O quê?

– Sim, o ferreiro diz que viu o cão.

John aproximou-se.

– Sabes em que direcção é que ele foi, rapazolas? – questionou.

– Sudoeste, em direcção à costa.

Sem perder tempo, John correu para o exterior e montou o cavalo. Sabia que ia ser difícil encontrar a criatura, mas não podia desistir agora que a sorte lhe sorrira.

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