Anna baixou-se e examinou os ramos partidos no solo da floresta. Num dos arbustos havia um pequeno tufo de pêlo acastanhado. O rasto era recente. Levantou a mão e fez sinal a Nadieh.

Sorrateiramente, a irmã mais velha aproximou-se.

– Então?

– Está próximo – respondeu Anna enquanto desviava os cabelos loiros do rosto. – Pelas marcas é um macho adulto.

– Fazes ideia de que direcção tomou?

Anna estudou as redondezas em busca de mais pistas. Uns ramos um pouco mais à frente deram-lhe a informação de que precisava.

– Esta.

Nadieh esticou a cabeça para ver o rasto que a irmã encontrara.

– A sério, piolho, um dia tens de me ensinar a ler pistas tão bem como tu.

– Também o conseguias fazer se tivesses prestado mais atenção às lições do pai.

– Que engraçadinha… – comentou Nadieh com um sorriso amarelo.

– Vamos, ele não está longe.

Avançaram pelo estreito trilho aberto por entre a vegetação da floresta. Anna seguia à frente, agachada por entre os arbustos, movendo-se silenciosamente. Atrás de si, a irmã mais velha seguia-a como uma sombra ao mesmo tempo que tentava prender os longos cabelos com um elástico.

Um pouco mais à frente, Anna estancou. Nadieh preparou-se para questionar a irmã, mas esta fez-lhe sinal com a mão para que permanecesse em silêncio. De seguida, apontou para o chão, a poucos passos do local onde se encontravam. Havia dejectos do animal.

Estavam perto do lago, era possível ouvir as águas calmas embaterem nas margens.

Anna levou a mão às costas e pegou no arco e numa flecha. Fez sinal a Nadieh com a cabeça para que a seguisse.

Aproximaram-se da orla da floresta até conseguirem ver as águas translúcidas do lago. Mantiveram-se escondidas pela vegetação.

Anna escrutinou o local vagarosamente. Nas mãos segurava o arco e a flecha, pronta a disparar a qualquer momento. Um abanão no ombro fê-la interromper a busca. Atrás de si, Nadieh apontava para a sua direita.

Lá estava ele. A beber água do lago, um grande e bonito cervo. Tratava-se de um macho adulto e saudável.

Anna apontou o arco e preparou a flecha. O animal continuava a beber, completamente inconsciente do perigo que o rodeava. A jovem não hesitou, respirou fundo e largou a flecha.

As águas do lago tingiram-se de vermelho.

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