Cravou o machado no peito de um demónio e empurrou-o de encontro à criatura em forma de mulher. Com um salto, lançou-se sobre Leviatã, que em desequilíbrio deixou escapar o pequeno baú de metal das mãos. Enlil apanhou a pequena caixa ainda no ar e correu no sentido oposto.

Leviatã esticou as mãos na direcção dele, lançando-lhe raios de energia da ponta dos dedos.

Enlil atirou-se ao chão e rebolou, esquivando-se do ataque por uma unha negra.

– Apanhem-no! – ordenou a mulher, num tom de voz irado.

Todas as atenções no campo de batalha recaíram sobre Enlil. Os demónios que estavam mais próximos acorreram ao pedido da sua líder e perseguiram-no.

Com o pequeno baú nos braços, Enlil desatou a correr. As balas voavam sobre os seus perseguidores. Os Sombra Negra tentavam atrasá-los a todo o custo. Virou repentinamente à direita quando lhe surgiu um demónio pela frente. Correu sem ver por onde ia, acabando por sair da avenida e entrar numa ruela adjacente.

Olhou para trás. Uma das criaturas ia no seu encalço. Levou a mão direita à cintura e pegou num pequeno machado prateado. Sem abrandar a corrida virou-se para trás e atirou a arma pelo ar. A lâmina rachou-lhe o crânio e o demónio caiu ao chão.

Enlil correu sem abrandar o passo, virou à direita no cruzamento seguinte.

Um vulto saltou para a sua frente e um impacto no ombro atirou-o ao chão. Enlil caiu, deixando escapar o pequeno baú de metal. Levantou os olhos para o atacante. Não eram demónios, mas sim dois homens. Um deles devia ter quase dois metros de altura, um corpo musculado e um rosto duro. O segundo era de estatura média, cabelos grisalhos e vestia tweed. Deviam estar ambos na casa dos quarenta.

O tipo musculado apanhou o baú do chão e atirou-o ao companheiro.

– Rápido, vamos sair daqui.

Desataram a correr pela ruela. Meio estonteado, Enlil levantou-se e correu atrás.

Os dois homens rumaram a um condomínio fechado que estava agora ao abandono, tal como grande parte dos edifícios da cidade. Com um pontapé, o tipo musculado investiu sobre um gradeamento de metal entrou.

Ignorando a respiração acelerada e os músculos doridos, Enlil acelerou tentando apanhar o segundo homem e o baú.

Nisto, o gradeamento de metal voou na sua direcção, obrigando-o a saltar, batendo numa das paredes com o ombro. Sentiu o asfalto esfolar-lhe a pele ao aparar a queda com as mãos.

Com uma dor lancinante no ombro, olhou para o fundo da ruela mas os dois homens haviam desaparecido.

– Enlil – chamou uma voz atrás de si.

Um grupo de Sombras Negras aproximava-se a passo de corrida.

– Os homens estão a retirar, mas os demónios não parecem dispostos a abdicar dos cristais – informou um segundo. – Tens o baú?

Enlil virou o olhar para o condomínio fechado. A zona estava repleta de demónios e Sombra Negra, aqueles dois não iriam muito longe.

– Fui atacado por dois tipos que nos roubaram o baú. Reúne os homens que conseguires e cerquem aquele condomínio. Os restantes venham comigo.

Acompanhado pelos cinco homens, Enlil avançou para os edifícios. Ninguém roubava os Sombra Negra.

3

Conto irmão: A Profecia

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