O ar toldou-se de poeira. A explosão provocada pelos Sombra Negra havia derrubado a fachada de dois edifícios da avenida, bloqueando o caminho ao grupo de demónios.

Empunhando o machado de guerra na mão direita, Enlil saiu do abrigo e correu para as escadas do edifício. No exterior já ouviam-se disparos e os rugidos dos demónios.

Desceu as escadas saltando vários degraus. Parou apenas quando alcançou o piso térreo. Vários membros dos Sombra Negra encontravam-se barricados no edifício ao lado das janelas. A poeira começava a dissipar e os homens abriam fogo contra os demónios.

As criaturas corriam pela avenida à procura de refúgio da chuva de balas. Porém, Enlil sabia que o efeito do ataque não iria durar.

– Vocês quatro, venham comigo.

Os Sombra Negra seguiram Enlil para a avenida. O local era um autêntico campo de batalha. Vários grupos de homens dos Sombra Negra avançavam sobre os demónios, atacando a escolta pelos flancos. As criaturas dispersavam, lançando-se em fúria aos atacantes. Com garras e dentes afiados arrancavam as armas aos humanos, dilacerando-os.

Enlil não concordava com plano por aquele motivo. Podiam conseguir roubar os cristais aos demónios, mas o resultado final seria sempre o mesmo: um massacre nas fileiras dos Sombra Negra.

Fez sinal aos homens para o seguirem e avançou pelo caos. No entanto, foram de imediato interceptados por um grupo de três demónios alados de aspecto reptiliano.

Uma das criaturas abriu as asas e voou sobre Enlil. O jovem atirou-se ao chão e rebolou, desviando-se do ataque. Mas a criatura apanhou um dos seus homens, cravando as garras nos ombros, levou-o consigo pelo ar, largando-o de uma altura de três andares. O crânio do homem desfez-se quando o corpo se estatelou no asfalto.

Um segundo demónio avançou. Girando sobre si mesmo, Enlil executou um movimento circular com o machado, atingiu a besta na asa esquerda e rasgou-lhe a membrana que compunha a asa. O demónio caiu ao chão e deixou escapar um grunhido de dor.

 O terceiro membro daquele grupo atacou um dos homens de Enlil. Com a cauda em chicote, arrancou a metralhadora das mãos do Sombra Negra, atirando-o ao chão com uma patada no peito. O jovem correu de machado erguido, saltou sobre o demónio e lançou a lâmina de aço na direcção da besta, rachando-lhe o crânio em dois.

Enlil pisou o cadáver e arrancou o machado da cabeça. Baixou-se quando ouviu o som de uma rajada de balas a curta distância. O corpo sem vida do primeiro demónio caiu-lhe aos pés.

– Obrigado – agradeceu ao homem que lhe salvara a vida.

O Sombra Negra respondeu com um aceno de cabeça e voltou a abrir fogo, desta vez contra um demónio de ar lupino.

Um vislumbre dos longos cabelos roxos relembrou Enlil da sua missão. A Leviatã estava perto e transportava consigo o pequeno baú de metal.

Correu na direcção da criatura disfarçada de mulher, passando junto do demónio a quem rasgara a asa. Posicionando o machado, atingiu-lhe o pescoço com a lâmina. A besta caiu ao chão, levando as mãos à garganta por onde escorria o sangue de cor roxa. Leviatã estava agora a um par de metros do jovem.

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