Vogando o rio vão as negras almas

Chorando e vagindo por suas penas,

Fazendo lugar e vez de suas águas

Que em nada se dizem amenas.

Nelas se quebram as orações,

Nelas se sangram os corações.

Não têm carne, nem alma de cor,

Soçobra-lhes apenas a sua dor.

A Hades se erguem em clamor,

A Perséfone pedem por seu amor.

Em seu mandato são os deuses surdos,

Em seu reino se quedam mudos.

Entre os mortos não há amigo

Quando o que se cumpre é um castigo

Por em vida se ter tido em mente

Vivê-la tão perdidamente.

Choram, choram as almas

Choram, choram as penadas

Em suas lamentadas lágrimas

São as vilezas salgadas,

E os pecados então lavados.

Um dia, talvez, ao mar rumarão

E do Panteão o perdão conseguirão.

Mas não agora, não. É tarde. É cedo.

Choram ainda a solidão

De quem no Inferno encarna o medo.

– Agonia.

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