Já não me bastava que os meus pais tivessem obrigado a levar a minha irmã à festa da amiga, também tinha de me perder na Serra de Sintra. Aquela noite não podia correr pior, esta já estava a correr da pior forma possível. As estradas pareciam-me todas iguais, o que me dava a sensação de andar em círculos. A minha irmã, a Soraia, estava sentada no banco do passageiro e trocava mensagens furiosamente com as amigas, eu podia apenas imaginar o que ela dizia. Os seis anos de idade que nos separam sempre fizeram que tivéssemos uma relação pouco próxima.

– Eu bem te disse, Pedro, que devíamos ter virado à esquerda naquele cruzamento, mas não me deste ouvidos e agora não sabes para onde te virares. – Disse-me ela quebrando o silêncio que se havia instalado. Sem nunca os seus olhos abandonarem o telemóvel.

– E o que queres que eu faça agora? – Respondi-lhe irritado. – Podes ver aí o GPS do teu telemóvel e verificar se ainda estamos longe.

Ela olhou-me furiosa.

– Porque é que não vês no teu? Eu não tenho essa aplicação ainda instalada. Não preciso dela.

– Deixei-o em casa, por isso é que te pedi.

– Ok, vou ver se consigo alguma coisa. – ela começou a mexer rapidamente nas teclas, e começou a parecer frustrada. – Não sei o que se passa com o meu telemóvel. – ela mostrou-me a tela, a imagem estava a falhar. Instantes depois o carro pareceu fazer-me o mesmo.

– O que raio…

O meu carro estacou no meio da estrada, sem qualquer aviso.

– Só nos faltava esta! Não me digas que não puseste gasolina antes de sairmos.

– Não é gasolina, Soraia, é gasóleo. E sim, atestei hoje o depósito. Não sei o que se passa. – tentei várias voltar a ligar o carro mas sem sucesso nenhum. – Que raios! Empresta-me o teu telemóvel para chamar um reboque.

Ela passou-me o aparelho, o qual também se encontrava desligado. Sobressalte-me quando alguém bateu no vidro.

 caminho de sintra -08

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