De mochilas às costas, o grupo de amigos avançou em direcção à aldeia de Pitões das Júnias, passando perto de um prado. Várias ovelhas arrancavam as ervas rasteiras do chão, indiferentes à presença dos três jovens naquele dia quente de Agosto. Um pouco mais à frente, um pequeno grupo de populares tinha-se juntado em redor do que parecia ser uma ovelha caída no chão.

– O que acham que se passa? – questionou Rafael.

– Não faço ideia. Venham daí, vamos ver.

Lançando-se numa pequena corrida, Miguel foi o primeiro a chegar ao local, parando a poucos metros dos populares. Rafael e Filipe depressa perceberam que alguma coisa não estava bem pela sua expressão. Ao aproximarem-se do local compreenderam o motivo da reacção do amigo: no meio dos populares jazia o cadáver de uma ovelha, de tal forma desfigurado que se não fosse pela lã tingida de vermelho, seria impossível identificar o animal de que se tratava.

– Lobos? – questionou Filipe.

– Talvez… Nunca pensei que um ataque de lobos pudesse deixar um animal neste estado – comentou Miguel.

Ao aperceberem-se da presença dos jovens, os populares lançaram-lhes olhares de poucos amigos. Não eram ali bem-vindos.

– Vamos embora. Já vimos o que tínhamos a ver – declarou Rafael, dirigindo-se de volta ao caminho para a aldeia.

O grupo afastou-se em silêncio e só voltaram a falar quando tiveram a certeza que os populares já não os podiam ouvir.

– Pessoal, quanto a vocês não sei, mas eu cá não tenho grande vontade de acampar com lobos à solta – disse Miguel.

– Esquece lá os lobos. Tu nem sabes se foram lobos que fizeram aquilo. Logo perguntamos a alguém se é seguro acampar. Não comeces já a fazer filmes – respondeu Filipe.

O grupo deparou-se com um pequeno café no centro da aldeia. O espaço era apertado, com apenas duas mesas, mas bastante fresco, algo que os jovens não puderam deixar de apreciar. Foram rapidamente atendidos pela dona do estabelecimento, uma simpática senhora na casa dos sessenta anos que lhes levou bebidas e algumas sandes.

– Desculpe, sabe dizer-me se houve algum ataque de lobos? – inquiriu Miguel.

A mulher riu-se com gosto.

– Lobos, meu rapaz? Já não vejo lobos nesta zona há muitos anos. Porquê essa pergunta?

– Vimos uma ovelha morta no pasto ao pé da aldeia. Estava em muito mau estado. Pensámos que tivesse sido um ataque de lobos – explicou Rafael. – Gostávamos de saber se é seguro acampar por estas bandas.

– Oh, não se preocupem com isso. Foi apenas um acidente. Estão à vontade para acampar nos arredores da aldeia se quiserem. Se tivessem vindo mais cedo ainda tinha um quarto para alugar, mas uma rapariga da vossa idade chegou há cerca de uma hora atrás e ficou com ele.

Dito isto, uma esbelta figura feminina desceu as escadas que davam acesso ao andar de cima. Com a mão ajeitou os cabelos loiros enquanto descia os degraus das escadas aceleradamente.

– Olhe, acabei agora mesmo de dizer a estes simpáticos rapazes que ficou com o meu último quarto.

A jovem fitou o grupo com os seus olhos azuis e sorriu.

– Desculpem lá a massada. Para a próxima sejam um bocadinho mais rápidos. Até já dona Olga.

– Até já, filha – despediu-se a proprietária quando a rapariga saiu do café. – Esta juventude, sempre a correr de um lado para o outro… Bem, façam um bom proveito.

Miguel aguardou até a senhora se ter afastado para mandar a boca que Filipe e Rafael já aguardavam.

– Bolas, vocês viram bem aquela brasa? Assim até dá gosto passar cá uns diazinhos.

– Deixa lá a brasa. Acabamos de comer e depois temos de ir comprar coisas para o almoço. Rafael, não te importas de procurar um sítio porreiro enquanto nós tratamos disso? – questionou Filipe.

– Não, sem problema nenhum – respondeu, olhando de novo para a porta do café. Não era habitual ficar embeiçado pela primeira rapariga que via à frente, mas havia algo na jovem que lhe tinha despertado a atenção. Será que a voltaria a ver?

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