Incrédulo, olhei para o estranho que estava em pé à minha frente. O que ele me acabara de propor era impossível.

– Que raio de história é essa que você me está a contar?! Isso não é possível!

– Se não fosse possível, senhor Harris, acha mesmo que eu vinha aqui perder o meu tempo? Pense bem naquilo que eu lhe disse, afinal de contas, é uma oportunidade única. Não faço destas ofertas a qualquer um – respondeu-me, esboçando um ligeiro sorriso.

Tendo em conta que estava prestes a ser-me administrada a injecção letal, pouco tinha a perder em aceitar  a proposta.

– Muito bem, como funciona este nosso acordo? Que provas tenho de que não me está a enganar?

Surgiram chamas nas suas mãos que se transfiguraram num pergaminho amarelado.

– Como em qualquer acordo legalmente válido, tem apenas de assinar este contrato.

Desenrolei o pergaminho antigo e comecei a ler, ou pelo menos tentei. O texto estava todo escrito em runas, indecifráveis para os meus olhos.

– O que é isto? Não consigo ler nada…

– Nesse caso vai ter de acreditar na minha palavra – respondeu em tom trocista.

Respirei fundo. Se queria viver não tinha outra opção.

– Muito bem, eu assino.

– Maravilhoso!

– Tem alguma caneta?

Do bolso interior do casaco, retirou uma caneta branca. Quando lhe peguei, senti um arrepio a percorrer-me o corpo. Era feita de osso. Seria humano?

– Vamos, quanto mais depressa assinar, mais depressa pode recuperar a sua vida.

Com determinação puxei o pergaminho até ao final e assinei. Senti uma dor aguda no dedo indicador e o meu nome foi escrito numa espessa tinta vermelha.

Antes que pudesse fazer algo ao contrato, o homem tirou-mo das mãos juntamente com a caneta. Só aí me apercebi no corte no meu dedo.

– Agora que temos as formalidades tratadas, desejo-lhe a continuação de um bom dia. Ah, sim, já me esquecia… Como deve calcular, apesar de o acordo ser válido, não me posso responsabilizar por algum acidente que possa acontecer.

Dito isto, o guarda prisional voltou a aproximar-se e abriu a porta da cela. O misterioso homem afastou-se enquanto o guarda me voltou a fechar.

De súbito senti um aperto no peito. Teria eu tomado a decisão correcta? As minhas acções iriam custar a vida de alguém, mas, afinal, era a minha própria vida que estava em jogo…

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