Com um movimento floreado, a Fada Madrinha apontou a varinha à abóbora mais próxima, por sinal já meio podre. Uma faísca de luz atingiu-a e esta começou a inchar, e a inchar, até ficar do tamanho e forma de uma carruagem dourada.

Fascinada, a Cinderela abriu logo a porta. Qual foi o espanto quando viu sete homenzinhos lá dentro, a olharem uns para os outros, com cara de parvos.

– Mas nós não éramos larvas? – perguntou um deles, soltando um bocejo.

– Éramos, já não somos! – disse outro, soltando uma risada muito alegre. – Há mais vida para além desta abóbora!

A fada e a Cinderela entreolharam-se, antes de encolherem os ombros. A empregada doméstica já estava demasiado atrasada para o baile real, para se preocuparem com detalhes.

Depois de se certificaram que o feitiço seria eterno, os homenzinhos agradeceram e precipitaram-se para o bosque, mais do que contentes. Houve só um que rezingou durante todo o caminho.

Anos mais tarde, encontraram uma rapariga anémica que comia maçãs com princesicida, mas isso é outra história.

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