– Abana as asas!

Saltei, abri as asas e caí como uma pedra, mesmo por baixo do montículo de terra de onde tinha saltado.

– Outra vez! – O corvo ordenou.

Voltei a trepar o montículo de terra, cada vez mais devagar.

– Professor, e se eu não conseguir voar?

– És uma ave. Tens de voar!

– Mas e se eu não for dessas de voar?

– Continuas a tentar.

– Porquê?

– Porque, ou voas, ou magoas-te a tentar.

– Mas eu não quero magoar-me.

– Então porque estás a saltar?

– Porque o professor mandou.

– E enquanto eu mandar vais continuar a tentar! Até aceitares que és uma ave, ou então, que não foste feito para voar.

– Mas se uma avestruz não pode voar, que ave sou eu?

– Uma que, ao aceitar que não foi feita para voar, chegará ao destino apenas a andar.

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