Os Rouls começaram a rodear Kurn. Todos eles empunhavam as suas espadas com lâminas de cristal. Apesar de ser um guerreiro experiente, o mercenário sabia que não estava à altura de um Roul de círculo elevado, quanto mais de cinco. A sua única hipótese era criar uma distracção que lhe permitisse sair dali com vida.

– Não vale a pena resistir, só vai estar a adiar o inevitável – declarou o líder dos Rouls.

– Sempre gostei de um desafio…

Levou a mão ao coldre e sacou da sua arma de raios. Antes que os Rouls pudessem reagir, disparou contra o tecto de cristal, fazendo-o despedaçar-se em centenas de lâminas afiadas. Uma intensa chuva de cristais cortantes caiu sobre os adversários.

O líder dos Rouls e mais dois dos seus seguidores foram obrigados a desviar-se para não serem atingidos pelos fragmentos.

Aproveitando a distracção, Kurn lançou-se em corrida em direcção à saída da câmara, passando por entre os adversários desorganizados.

– Apanhem-no! – ordenou o líder.

Um dos Rouls de espada vermelha seguiu em perseguição ao mercenário. Kurn já levava algum avanço, mas recorrendo aos seus poderes sobrenaturais, num instante o Roul interpôs-se entre ele e a saída, barrando-lhe o caminho.

Kurn disparou contra o inimigo, no entanto este limitou-se a levantar a mão livre na sua direcção. Os disparos da arma de raios embateram contra uma espécie de escudo invisível, deixando o Roul incólume.

Inesperadamente, a espada caiu da mão do Roul quando as moléculas do seu corpo se desintegraram. GV-53 surgiu detrás do oponente, ainda com o canhão de raios a fumegar. Virando-se na direcção dos homens que atentavam contra a vida do seu mestre, o robot abriu fogo. Raios de energia concentrada percorreram a câmara, procurando a próxima vítima.

Perante a ferocidade do ataque, os Rouls viram-se obrigados a recuar, procurando refúgio entre as estruturas de cristal.

Os sensores de GV-53 não lhe possibilitavam focar tantos alvos em simultâneo, o que permitiu a um dos Rouls esquivar-se sem que o robot se apercebesse. Movimentando-se por entre as estruturas de cristal, procurando abrigo dos mortíferos raios esverdeados, o Roul aproximou-se sem ser detectado. Com um movimento circular, a espada violeta cortou o ser mecânico em dois.

Kurn estava quase a alcançar a saída quando sentiu o peito a ser trespassado. Um arrepio frio percorreu-lhe o corpo e a visão turvou-se. Aos poucos, as forças começaram a abandoná-lo, como se fossem drenadas pela lâmina da espada.

O líder dos Rouls retirou a arma de lâmina negra do cadáver do mercenário. Como é que aquele idiota julgara ser capaz de lhe escapar?

– Livrem-se do corpo – ordenou.

– Mestre, o que fazemos com o robot?

O homem de gabardina branca olhou para o que restava de GV-53.

– Não vale a pena preocuparmo-nos com esse monte de sucata. Já vamos suficientemente carregados. Prepararem-se para transportar o que resta do Dezqua Inai para a aeronave.

Os circuitos de GV-53 lutavam para o manter vivo. Apesar de estar extremamente danificado, os seus processadores e sensores ainda se encontravam em funcionamento, capturando a informação de tudo o que o rodeava. Através do sensor cardíaco que Kurn implantara no peito, o robot detectou o último batimento do coração do seu mestre. Uma sub-rotina adormecida entrou em funcionamento nos processadores. A memória de GV-53 registou os dados biométricos do líder dos Rouls como principal alvo. As ordens da directiva não podiam ser mais simples: procurar os responsáveis pela sua morte e vingar o seu senhor. Os circuitos lutavam para manter a integridade do sistema, mas os danos eram demasiado extensos para que GV-53 pudesse cumprir as ordens. O robot optou então pela única opção que tinha. Minimizando ao máximo o consumo de energia, começou a desligar os sistemas um a um até entrar em hibernação. Se tivesse sorte, alguém o iria encontrar e reparar, e aí sim poderia executar a sua directiva.

5

Anúncios