No horizonte sugiram dois caças que escoltavam uma aeronave de transporte. As estruturas de cristal estremeceram quando estes sobrevoaram o local a baixa altitude.

Kurn aguardava com GV-53 junto ao seu veículo por ordens da Igreja. Após a sua descoberta, o mercenário comunicou com o seu contacto. Curiosamente, o homem não pareceu ficar muito interessado com o que Kurn encontrara debaixo do Mar de Cristal. Deu-lhe a sensação de estar mais preocupado com a localização actual do mercenário e com o que ele podia fazer. As ordens que recebeu de seguida não podiam ser mais claras, o contacto iria enviar uma equipa para inspeccionar a descoberta, e Kurn tinha de permanecer no local até à chegada da mesma.

O ar foi inundado por poeira azul quando as aeronaves iniciaram a sua descida vertical. Os propulsores que permitiam uma descida suave criavam pequenos vórtices de pó e emitiam um som entorpecedor.

Assim que as aeronaves tocaram em terra firme desligaram os motores. Tratava-se do último modelo da série Aton-XS, autênticas máquinas de guerra com uma capacidade destrutiva e uma versatilidade incomparáveis. O cockpit dos dois caças abriu-se e os pilotos saltaram para o exterior.

Os dois homens envergavam armaduras biónicas de cor negra e capacetes com visor espelhado que lhes ocultava o rosto. Ignorando Kurn e o seu robot por completo, dirigiram-se até à aeronave maior. Lentamente, a rampa para o porão de carga desceu.

Do interior da aeronave surgiram mais duas figuras de armadura negra e capacete. Escoltavam um indivíduo com uma gabardina de couro branco que lhe dava quase até aos pés. Os seus longos cabelos de um loiro platinado e o tom de pele clara contrastavam com o negro da armadura que se vislumbrava por baixo da gabardina. Tal como Kurn, o sujeito usava óculos de protecção.

O mercenário encaminhou-se para junto dos recém-chegados ao mesmo tempo que os avaliava cuidadosamente. Não pôde deixar de notar na espada com lâmina de cristal que todos eles traziam à cintura. A Igreja tinha enviado Rouls.

O homem de gabardina, presumivelmente o líder, aproximou-se de Kurn.

– Kurn Hin’or? – questionou num tom de voz frio.

– O próprio.

– Mostre-nos o que encontrou.

Kurn assentiu com a cabeça e, juntamente com GV-53, conduziu os cinco Rouls pelo túnel que escavara. O mercenário aproveitou a oportunidade para estudar de perto das famosas espadas Roul. Dois deles ostentavam armas cuja lâmina de cristal era encarnada, enquanto os outros dois tinham lâminas violeta. Já o cristal do líder era negro como a noite.

Um arrepio percorreu-lhe o corpo de cima a baixo. As lâminas das espadas Roul tornavam-se mais escuras conforme os seus detentores se tornavam mais poderosos. Aqueles Rouls estavam nos círculos de poder mais elevados.

Kurn estava com um mau pressentimento. Não era habitual os Rouls se envolverem em assuntos da Igreja, especialmente os dos círculos mais elevados. Também a própria indumentária dos homens era fora do normal. Os membros da ordem eram conhecidos pelas suas armaduras prateadas com motivos a dourado. Tanto elas como as espadas tinham um simbolismo importante para a congregação. O mercenário não se lembrava de alguma vez ter ouvido falar em Rouls de armadura negra.

– Chegámos – declarou ao entrar na câmara.

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