O chão estremeceu com mais uma explosão. Uma nuvem de poeira azul varreu o local quando o detonador de Umn libertou a onda de energia, obrigando Kurn a refugiar-se atrás do transportador. O mercenário aguardou que o pó assentasse antes de verificar o resultado da detonação.

Na base de uma das estruturas cristalinas, encontrava-se agora a entrada para uma caverna que ele escavara com ajuda de várias detonações. A cova era larga e já devia descer uns bons duzentos metros abaixo da linha do solo.

Aproximou-se para ver melhor o resultado. À sua frente erguia-se ainda uma parede de cristal que lhe bloqueava a passagem.

– Ainda falta muito?

– Não, senhor – respondeu GV-53. – Os meus sensores indicam que estamos quase a atingir o alvo. Recomendo a utilização de lasers mineiros para percorrer o restante caminho.

Kurn bufou de desagrado e olhou para a parede. Recorrer aos lasers era um processo lento e entediante, mas a utilização de mais explosivos podia resultar em danos na sua descoberta. Em silêncio, ponderou as suas possibilidades. Estava ansioso por terminar aquele trabalho e deixar aquele local bizarro, mas não se podia dar ao luxo de colocar em risco a missão, principalmente quando o seu cliente pagava tão bem. Respirou fundo e deu a ordem.

– Usa os lasers.

GV-53 seguiu para o interior da caverna acompanhado por Kurn. O antebraço do robot abriu-se e dele surgiram quatro lasers que este direccionou para a parede. Quatro fios de luz violeta começaram a cortar o cristal, abrindo passagem para o humano e para o robot.

Kurn manteve-se atrás de GV-53 enquanto este abria caminho. O demoroso processo levou quase uma hora, mas ao final desse período, o robot desligou os lasers e voltou a recolhê-los para o interior do braço.

– A passagem está aberta, senhor.

Kurn passou à frente de GV-53 e entrou pela fenda que este criara na parede. A passagem era estreita, pelo que o corpulento mercenário teve de se encolher para conseguir passar.

Uma vez do outro lado, Kurn deu por si numa câmara que se originara no interior da estrutura de cristal. O local fazia lembrar uma gruta onde as rochas que a formavam tinham sido substituídas por vidro, de tal forma límpidos eram os cristais que a compunham.

Por entre as estruturas cristalinas, encontravam-se o que pareciam ser destroços de uma nave. Kurn vagueou por entre os escombros de metal inspeccionando a sua descoberta. Só quando se deparou com um rosto gigante é que se apercebeu daquilo que realmente encontrara. Ali, escondido debaixo de todo aquele cristal, repousava o que restava de um gigante de metal, como se de um túmulo se tratasse.

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