Sob a luz do luar, Cowin ajustou a armadura ao corpo. O ambiente estava pesado e o jovem guerreiro não era o único a sentir o nervosismo que antecipava a batalha. Na fileira de soldados, também os seus companheiros pareciam ficar mais tensos com o aproximar do combate.

Ao longe, por entre a escuridão da noite, já era possível ver o exército de Trollocs a aproximar-se. As criaturas, um misto de humano e animal, avançavam a passo acelerado.

Cowin Norry apertou com força o punho da espada. Aguardava impacientemente que o comandante desse a ordem de taque.

As bestas continuavam a aproximar-se. Os Trollocs viam melhor à noite que os humanos, o que deixava as tropas à mercê das forças do Tenebroso.

– À carga!

Respondendo de imediato à ordem do comandante, as tropas humanas avançaram sobre o exército de Trollocs.

Os servos do Tenebroso não se deixaram intimidar pela investida dos humanos, lançando-se ferozmente com uma fúria animalesca contra o inimigo.

Apanhado pelo caos do campo de batalha, Cowin brandiu a espada e trespassou um Trolloc com feições de bode. A corpulenta criatura caiu sem vida aos pés do jovem guerreiro.

Antes que pudesse saborear a pequena vitória, um outro Trolloc com focinho de lobo atacou o jovem com uma espada de lâmina curva.

Com um movimento rápido, Cowin ergueu a espada e bloqueou o ataque. Sem dar tempo ao adversário, o humano passou ao ataque, tentando perfurar a armadura de couro que cobria o corpo do Trolloc. Recorrendo a uma série de golpes circulares, tentou desarmar o adversário, mas este aparava todas as suas investidas.

Num movimento que Cowin não antecipou, o Trolloc de ar canino arrancou-lhe a espada das mãos, fazendo-a voar para longe no campo de batalha.

O Trolloc sorriu, mostrando-lhe os dentes afiados.

Desarmado, Cowin não teve outra opção se não recuar enquanto procurava evitar que os golpes da criatura o atingissem.

Demasiado ocupado em se esquivar da lâmina da espada, recuou atabalhoadamente, acabando por tropeçar no corpo de um Trolloc que jazia no campo de batalha.

Com o adversário desarmado e caído no chão, o Trolloc lançou-se no ataque derradeiro.

Numa fracção de segundo, Cowin fechou a mão em torno da lança do Trolloc moribundo e apontou-a ao adversário.

O Trolloc de focinho de lobo deixou cair a espada quando foi trespassado pela lança de madeira. Caiu ao chão e o seu corpo contorceu-se em espasmos até a vida o abandonar.

Ainda a sentir coração acelerado a bombear o sangue pelo corpo, Cowin tentou recuperar o folego e apanhar a espada do inimigo. Baixou-se e retirou a arma debaixo do cadáver.

A cabeça do jovem guerreiro rolou pelo chão manchando-o de vermelho. O sinistro carrasco parou por alguns instantes para apreciar o sangue a correr pela lâmina da espada. De seguida, movendo-se por entre as sombras, o Myrddraal procurou a sua próxima vítima…

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Robert Jordan, pseudónimo de James Oliver Rigney, Jr., foi o autor de uma das maiores e mais conhecidas sagas de fantasia, “A Roda do Tempo”. Nasceu em 1948 em Charleston e faleceu em 2007 vítima de doença.

A minha escolha em homenagear este autor deve-se ao fascínio que o universo dele criou em mim desde que li o primeiro volume de “A Roda do Tempo”. Um mundo onde a Luz e a Sombra travam uma batalha eterna ao longo das eras.

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